quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Tempo


Senti o cheiro da chuva, enquanto inundava a minha varanda. Da minha varanda vejo luzes. Luzes de néon e incandescentes. O meu luar tem 3 luas. A minha varanda 2 janelas. O meu corpo, sangue.

Corri para ela. Em tronco nu. Fumei um cigarro até à exaustão. Saboreava o meu copo. A chuva beijava-me. Ninguém me viu. Este cheiro que adoro.

Fiz-me notar pela ausência. A minha ausência em mim. Sorriso, já não existe. Por aqui fico. Fico e fico e me edifico.

Lembrei-me de ti, hoje. Lembrei-me. Não contei a ninguém, por isso escrevo. Tento invocar as minhas memórias. A necessidade de um quadro. Uma tela. Uma razão para beber. Devagar.

Escondo-me das pessoas. Não quero mais contactos. Sinto que morro durante o dia para renascer na noite. Na penumbra. Onde não há luz. Odeio a luz. Odeio os códigos. O telefone não toca.

O tempo. Tempo de…………

Tempo para………

No sábado fui ver gente e luzes. Fui desafiado por uns amigos. Poucos são os que ainda aqui voltam. Acabámos a rir. Acabamos sempre a rir. Falámos de nós. Falamos sempre do nos apoquenta ou orgulha. Este mal estar generalizado. Ficámos mais amigos. O elo que nos une é quase visível.

Tempo.

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