Ao fim ao cabo apenas nos escondemos, não achas?
Aquilo que vejo, tu não estás e aquilo sinto, tu não encontras. Longe mas sempre distante de nós eu invento-me, só mais uma vez. Por todas as vezes que descobrimos a janela abre. Sentes-me quando te falto? Quando te abandono na esperança de ser seguido?
Antes de ti, era eu e mais eu. Um eu elevado a uma potência gerada por mim, descobri que multiplicar-se era indiferente. Sou o elemento absorvente da minha vida, talvez o elemento neutro, ainda não sei bem. Percorro a calçada entre as luzes de neon que me fascinam, escondo-me das pessoas, não consigo ser simpático e canto. Canto com toda a força que tenho para te vencer.
Tu és aquilo que está a mais, aquela força que me domina. Entro na minha casa, deserta e aberta neste sonho que partilhámos. Foste tu aquilo que foi mais próximo do meu bem estar por isso me afasto. Aquilo que me faz viver é o que mata a minha companhia. Vive comigo!
Tentei ser igual. Ser apenas mais um. Não te quero aqui, porque não quero perder.
Sempre o tempo me ocupo, eu calo-me.
Sempre que o vento me assusta, eu escondo-me.
Sempre que a vontade perdura, eu fujo.
Eu fujo..
E fujo! Continuo a fugir de mim em ti.
Sempre que o tempo me relembra, eu saboreio.