São 23 horas. Estou à porta da faculdade. Silêncio. Escuro. Silêncio e frio. Finalmente parei, entre reuniões e aulas de tese o meu dia passa devagar. Devagar e calmo. O primeiro pensamento é para ti. Estás longe, eu sei, imagino o que estás a fazer. Imagino que voas noutras coisas, coisas mais rentáveis do que eu. Imagino o teu mundo, imagino aquilo que gostava de conhecer. O tempo nunca e simpático e eu por aqui fico. Vou ficar estacionado mais um pouco antes de ir para o silêncio da minha casa, vestir o pijama e ver um filme qualquer.
Não te vou procurar mais enquanto as minhas coisas não estiverem calmas e paradas. O meu mundo para colidir com o teu tem que ter espaço, espaço para o teu. Se não for assim não vale a pena. As colisões são o que são e as minhas são controladas. Espero encontrar-te um dia com mais tempo e tu com tempo, encontrei-te em palavras e afasto-me nelas. Tiveste o dom de me fazer escrever outra vez, tiveste o dom de te procurar e de te desejar. De te querer ouvir de saber como tinha sido o teu dia, de querer saber tudo sobre ti. De te querer mais do que podia. Eu sei que não fomos nada. Eu sei que faltava tudo e eu como sempre mato tudo antes de que algo me possa magoar e magoar-te. Eu sei que é ridículo e estúpido mas é a minha auto preservação de me manter assim com tudo que possa controlar.
Continuo a olhar para o telemóvel à tua procura com uma vontade terrível de te ouvir e saber que estás melhor. Estás? Um beijo até já.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2016
segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
Queria
Eu queria amar-te, sim tu, a tal que encontrei em palavras e vou perdendo em sonhos. Queria rasgar as tuas roupas, invadir o teu espaço, percorrer cada imperfeição com voracidade típica dos alucinados. Queria ter medo, muito medo mas entre toques e palavras, desafiamo-nos mutuamente. Assim. Entre o nosso sangue e suor que se evita na nossa guerra. Mais um passo e não volto atrás, já não consigo voltar atrás. Queria conquistar o teu mundo e depois colocar uma bandeira. Tatuar-te na tua pele branca a vontade do meu desejo. O teu mundo foi feito para ser conquistado com a violência de uma beijo, o meu? É quadrado, cheio de arestas vivas que me ferem que não aguentam a violência de um beijo. Queria trocar saliva, linfa e lágrimas, contigo, tudo num só olhar. Sentar-me no teu mundo e decorá-lo como tu queres. Pedir-te um desejo e enquanto o esperava, olhava para ti.
Eu queria incomodar-te, de todas as maneiras que acho reprováveis. Queria mostrar-te o quanto é menos do que imenso e que nada é apenas um ponto de partida. Queria fazer-te chorar para depois te fazer rir, queria fazer o teu coração pular, queria invadir-te e ficar. Parado. Assim. Cantando canções antigas. Encontrei-te em palavras, descobri-te na multidão.
Eu queria incomodar-te, de todas as maneiras que acho reprováveis. Queria mostrar-te o quanto é menos do que imenso e que nada é apenas um ponto de partida. Queria fazer-te chorar para depois te fazer rir, queria fazer o teu coração pular, queria invadir-te e ficar. Parado. Assim. Cantando canções antigas. Encontrei-te em palavras, descobri-te na multidão.
segunda-feira, 28 de novembro de 2016
Ponto SR
Quando é que sabes que gostas de alguém?
Quando escrevo sobre ela!
Saber que estás longe, não ajuda. Saber que estás sozinha, não aproxima. Saber que és e estás e eu sou e estou aqui. Saber que existes, não beneficia em nada. Passámos o dia a falar. Trocámos mensagens. Sempre cordiais e simpáticas. Adormeci contigo a meu lado. O carro vai cada vez mais depressa. O que tu não sabes é o que me fazes, a tua falta em mim, a tua ausência em mim, a tua dor em mim. A vontade de saber mais sobre ti, tudo sobre ti porque o que sei chateia, é demasiado igual. Ambos vivemos por convicções. Ambos aprendemos a ser aquilo que somos. Temos uma vida, sangue em nós que se ergue como uma barreira quase inexpugnável. A vontade de saber sempre um pouco mais para se recuar um pouco. O tempo das descobertas é sempre simpático e calmo. O carro continua a ir depressa. Eu estou bem aqui. O descobrir o mundo a dois. O inventar tudo a dois e depois porque eu já vi tudo, eu já fiz tudo, eu já senti tudo e pouca coisa me surpreende. Surpreende-me o sorriso, surpreende-me a facilidade com que se aceitam coisas como o bem estar.
Estamos a chegar ao ponto sem retorno, disse-lhe. Ela sorriu.
Quando escrevo sobre ela!
Saber que estás longe, não ajuda. Saber que estás sozinha, não aproxima. Saber que és e estás e eu sou e estou aqui. Saber que existes, não beneficia em nada. Passámos o dia a falar. Trocámos mensagens. Sempre cordiais e simpáticas. Adormeci contigo a meu lado. O carro vai cada vez mais depressa. O que tu não sabes é o que me fazes, a tua falta em mim, a tua ausência em mim, a tua dor em mim. A vontade de saber mais sobre ti, tudo sobre ti porque o que sei chateia, é demasiado igual. Ambos vivemos por convicções. Ambos aprendemos a ser aquilo que somos. Temos uma vida, sangue em nós que se ergue como uma barreira quase inexpugnável. A vontade de saber sempre um pouco mais para se recuar um pouco. O tempo das descobertas é sempre simpático e calmo. O carro continua a ir depressa. Eu estou bem aqui. O descobrir o mundo a dois. O inventar tudo a dois e depois porque eu já vi tudo, eu já fiz tudo, eu já senti tudo e pouca coisa me surpreende. Surpreende-me o sorriso, surpreende-me a facilidade com que se aceitam coisas como o bem estar.
Estamos a chegar ao ponto sem retorno, disse-lhe. Ela sorriu.
sexta-feira, 25 de novembro de 2016
Posso invadir o teu espaço?
Agora é que vai ficar bom. Já te disse, não te disse. Agora é que existe vida e ao mesmo tempo adormecemos ao lado um do outro. Posso invadir o teu espaço? Obrigado. Eu só pergunto para que saibas que quero invadir o teu espaço. Vê agora. Os tipos das pipocas incomodam. Comer pipoca faz barulho. A única coisa boa desta sala escura é estares ao meu lado, sabes disso, não sabes? O teu sorriso contagia-me e digo coisas parvas, geralmente sou mais recatado. Aluguei este mundo só para nós, aproveito isto tudo.
Assustaste-te? Dá-me a mão. Eu já te disse que vi o filme várias vezes antes de ver contigo? É para saber a história, preparar-me e marcar uns pontos na tua escala. Escala? Toda a gente tem uma escala.
Não gostas das personagens, os Aliens são estranhos. Tu dizes que parecem uns polvos eu digo-te que parece um eucalipto com as raízes de fora. As pipocas nunca mais acabam. Vamos fumar um cigarro?
Vamos invadir outra sala? Este filme cansa. Fomos apanhados, nunca tinha sido apanhado antes. Não faz mal. Só faltou correr. Está a chover lá fora e nós somos de longe.
Posso invadir o teu espaço? Deixa-me encostar a minha cabeça à tua. Posso invadir o teu espaço?
Assustaste-te? Dá-me a mão. Eu já te disse que vi o filme várias vezes antes de ver contigo? É para saber a história, preparar-me e marcar uns pontos na tua escala. Escala? Toda a gente tem uma escala.
Não gostas das personagens, os Aliens são estranhos. Tu dizes que parecem uns polvos eu digo-te que parece um eucalipto com as raízes de fora. As pipocas nunca mais acabam. Vamos fumar um cigarro?
Vamos invadir outra sala? Este filme cansa. Fomos apanhados, nunca tinha sido apanhado antes. Não faz mal. Só faltou correr. Está a chover lá fora e nós somos de longe.
Posso invadir o teu espaço? Deixa-me encostar a minha cabeça à tua. Posso invadir o teu espaço?
quinta-feira, 6 de outubro de 2016
Honey
Uma vez mais vou contar-te o que não quero dizer. Vou escrever, aqui, perdido.
Não sabes mas penso muito em ti. Não sabes mas queria ter-te aqui. Não me mexo, não me sinto, não me fico sem mim. Procuro-te, calmamente, sem grandes alaridos ou ondas. Procuro-te por indicações. Observo-te ao longe sem me denunciar, fico quieto, imóvel, até isto passar.
Há coisas que não sei de ti, outras sei muito mais do que deveria saber. Entre as minhas caminhadas, ao entardecer, viajo nesta minha cidade sem vontade de te esquecer. No meu carro cinzento e assim me invento.
Hoje tenho mais reuniões inadiáveis, as pessoas geralmente comunicam de uma maneira distinta dependente das situações. A formalidade é mais vincada em papel, nos e-mails, mensagens, ou tratam-me por Sr. ou pelo título académico. O papel é frio, o poder de escrever tende a afastar-nos mas nas minhas palavras é o contrário. Eu não consigo afastar-te pelas palavras, só aproximar. Não consigo ver defeitos que não sejam conformes com o que gosto em ti. Demorei horas para chegar ao escritório, havia um acidente na ponte. Telefonemas e mais telefonemas e nenhum teu. Mas isso não é nenhuma barreira, não achas? Porque quando se quer tudo se consegue, eu reconheço que não quero, gosto de continuar a observar-te.
Vou almoçar hoje ao Mercado da Ribeira. Gosto muito. Gosto de estar sozinho, sentado sozinho a observar. Geralmente são estrangeiros que ficam ao meu lado. Falam imenso. O viajar fá-los conversar imenso. Eu sou aquele que vou estar de fato a comer um hambúrguer sozinho, há lá mais como eu. Depois virei cá fora fumar um cigarro. Na esplanada sento-me e fico quieto, imóvel, a saborear o meu tempo e o meu espaço. São estas coisas, que nunca partilho, que gostava de te mostrar. Os momentos, os momentos do meu tempo.
Sei que há coisas que nos prendem e nos afastam, sei que a banalidade é adquirida e comercializada e sei que jamais lutarei para impor o meu tempo no teu tempo.
Não sabes mas penso muito em ti. Não sabes mas queria ter-te aqui. Não me mexo, não me sinto, não me fico sem mim. Procuro-te, calmamente, sem grandes alaridos ou ondas. Procuro-te por indicações. Observo-te ao longe sem me denunciar, fico quieto, imóvel, até isto passar.
Há coisas que não sei de ti, outras sei muito mais do que deveria saber. Entre as minhas caminhadas, ao entardecer, viajo nesta minha cidade sem vontade de te esquecer. No meu carro cinzento e assim me invento.
Hoje tenho mais reuniões inadiáveis, as pessoas geralmente comunicam de uma maneira distinta dependente das situações. A formalidade é mais vincada em papel, nos e-mails, mensagens, ou tratam-me por Sr. ou pelo título académico. O papel é frio, o poder de escrever tende a afastar-nos mas nas minhas palavras é o contrário. Eu não consigo afastar-te pelas palavras, só aproximar. Não consigo ver defeitos que não sejam conformes com o que gosto em ti. Demorei horas para chegar ao escritório, havia um acidente na ponte. Telefonemas e mais telefonemas e nenhum teu. Mas isso não é nenhuma barreira, não achas? Porque quando se quer tudo se consegue, eu reconheço que não quero, gosto de continuar a observar-te.
Vou almoçar hoje ao Mercado da Ribeira. Gosto muito. Gosto de estar sozinho, sentado sozinho a observar. Geralmente são estrangeiros que ficam ao meu lado. Falam imenso. O viajar fá-los conversar imenso. Eu sou aquele que vou estar de fato a comer um hambúrguer sozinho, há lá mais como eu. Depois virei cá fora fumar um cigarro. Na esplanada sento-me e fico quieto, imóvel, a saborear o meu tempo e o meu espaço. São estas coisas, que nunca partilho, que gostava de te mostrar. Os momentos, os momentos do meu tempo.
Sei que há coisas que nos prendem e nos afastam, sei que a banalidade é adquirida e comercializada e sei que jamais lutarei para impor o meu tempo no teu tempo.
segunda-feira, 16 de maio de 2016
Pirilampo
Tens o dom de me fazer escrever de novo, cada vez é mais raro. Nada me motiva nem sequer me cativa um pouco. Quando tu atinges um estado de maturidade poucas coisas acabam por te surpreender mas cada frase contigo é um mundo novo que se abre. Abre-me a porta que eu estou deste lado. Estou aqui, parado, a passar a mão no cabelo e a tremer um pouco.
Tenho que te dizer que invejo as tuas amizades, porque esses tem a tua autorização para te visitar. Eu ainda não tive. Sabes que não vou pedir. Os corpos atrapalham. Não te digo nada e jamais te direi. Tu és como um pirilampo. Quando a noite cai tu iluminas. Não aquela luz constante mas intermitente. Tu és intermitente. Umas vezes explodes e outras foges e depois ficas. Depois pensas e depois sofres. O estado natural das coisas tem uma ordem inversa ao corrente. Tu sabes disso. Foges para voltar ao mesmo sitio. A melhor maneira de te prender é com ideias e esperar por ti, calmamente. Porque eu sei que voltas.
A nossa cidade é cinzenta, nós somos cinzentos. A nossa cidade é mais pura connosco. Nós somos o reflexo da nossa cidade. A cidade que nos fez encontrar é a nossa companheira, solitária como nós mas cheia de sangue.
Tenho que te dizer que invejo as tuas amizades, porque esses tem a tua autorização para te visitar. Eu ainda não tive. Sabes que não vou pedir. Os corpos atrapalham. Não te digo nada e jamais te direi. Tu és como um pirilampo. Quando a noite cai tu iluminas. Não aquela luz constante mas intermitente. Tu és intermitente. Umas vezes explodes e outras foges e depois ficas. Depois pensas e depois sofres. O estado natural das coisas tem uma ordem inversa ao corrente. Tu sabes disso. Foges para voltar ao mesmo sitio. A melhor maneira de te prender é com ideias e esperar por ti, calmamente. Porque eu sei que voltas.
A nossa cidade é cinzenta, nós somos cinzentos. A nossa cidade é mais pura connosco. Nós somos o reflexo da nossa cidade. A cidade que nos fez encontrar é a nossa companheira, solitária como nós mas cheia de sangue.
sábado, 14 de maio de 2016
E se?
Encontrámo-nos em olhares descobrimo-nos nas palavras. As
palavras tem o dom de nos afastar e aproximar, consoante a nossa vontade. Os
olhares apenas invadem, umas vezes aceitamos outras somos indiferentes. Já te
disse que os loucos conhecem-se pelo cheiro. Todas as histórias de amor são
maravilhosas porque são curtas, mas merecem ser vividas, nem que seja para nos
arrependermos disso.
Imagina, encontramo-nos numa rua qualquer, eu de um lado do
asfalto e tu do outro. Eu sei como vais, aposto. Uns jeans gastos, uma t-shirt
clara e um casaco de malha. Cabelo solto e mergulhada nos teus pensamentos. Eu
sou o despenteado. Eu sei que vais baixar o olhar. Sei que vais fazer de conta
que não me vês. Eu sei que te vais desviar. Eu sei todos os teus gestos. Adoro
a tua melancolia. Adoro a tua indiferença e o teu olhar. Eu vou olhar sem que
tu me vejas. Eu vou ver-te até tu me veres. Depois trocamos um olhar. Por segundos.
Seguimos viagem. Sempre foi assim. Sempre será assim. Os loucos conhecem-se
pelo cheiro.
E se? E se te abordasse. E se te perguntasse porque não me
olhas. E se te agarrasse e te roubasse um beijo. E se te dissesse que sei e que
te compreendo. Todas as histórias de amor são maravilhosas porque são breves.
Eu sei que o tempo mata tudo e gasta tudo. Eu sei isso tudo. Nós somos iguais,
não suportamos a banalidade e depressa nos cansamos do amorfo e da exatidão.
Depressa regressamos ao nosso conforto. O nosso conforto é apenas um vazio que
nos habituámos a adorar e compreender. Não conseguimos lidar com o que não controlamos
e assim nos afastamos, tal qual uma estátua gelada.
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