segunda-feira, 16 de maio de 2016

Pirilampo

Tens o dom de me fazer escrever de novo, cada vez é mais raro. Nada me motiva nem sequer me cativa um pouco. Quando tu atinges um estado de maturidade poucas coisas acabam por te surpreender mas cada frase contigo é um mundo novo que se abre. Abre-me a porta que eu estou deste lado. Estou aqui, parado, a passar a mão no cabelo e a tremer um pouco.

Tenho que te dizer que invejo as tuas amizades, porque esses tem a tua autorização para te visitar. Eu ainda não tive. Sabes que não vou pedir. Os corpos atrapalham. Não te digo nada e jamais te direi. Tu és como um pirilampo. Quando a noite cai tu iluminas. Não aquela luz constante mas intermitente. Tu és intermitente. Umas vezes explodes e outras foges e depois ficas. Depois pensas e depois sofres. O estado natural das coisas tem uma ordem inversa ao corrente. Tu sabes disso. Foges para voltar ao mesmo sitio. A melhor maneira de te prender é com ideias e esperar por ti, calmamente. Porque eu sei que voltas.

A nossa cidade é cinzenta, nós somos cinzentos. A nossa cidade é mais pura connosco. Nós somos o reflexo da nossa cidade. A cidade que nos fez encontrar é a nossa companheira, solitária como nós mas cheia de sangue.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Beleza

Porra, a tua beleza magoa-me A tua calma impressiona-me A tua cara envergonha-me O teu corpo humilha-me A maneira com fal...