Não te consigo esquecer. É impossível. Tu não foste uma brisa, foste uma tempestade que abanou tudo e destruiu tudo e tudo continua. Abanaste tudo, sabes que um abalo sísmico é a energia vezes a massa, tu és mais ou menos isso.
Tudo me faz lembrar-te, tudo. Tudo me faz recordar-te. Tudo, Aquela noite. A nossa tarde. Fomos tanto com tão pouco, assim, por mim e por ti. Fomos tanto. Lembro-me de tudo. Do teu sorriso, da vontade. És tão bonita, apetece-me apertar-te, não te largar. O teu sorriso, as caretas, fica. Fica só mais uma vez, depois podes deixar-me, até a outro dia. Fica porque queremos. Sabes que eu sou uma estátua de orgulho e assim serei, tu não. Fica para depois abandonares-me, como e quando quiseres.
Lembro-me do susto que apanhámos. Será o nosso segredo. Eu num avião e tu longe. Jamais seremos indiferentes. Sabes que jamais sairemos da vida de um do outro. Teremos sempre o nosso espaço. Lembro-me de não me importar. Lembro-me.
Falámos imenso que andámos sempre perto e nunca nos encontrámos. Era estranho. Estranho. Ambos, agora, sabemos porquê. Porque tu és uma tempestade de água e sal que inunda o meu espaço e agita a minha vontade.
Quero que saibas que não te consigo esquecer, até já.
sexta-feira, 3 de novembro de 2017
terça-feira, 29 de agosto de 2017
Até Já
O dia custa a passar sem o teu bom dia, não é o mesmo. A noite sem ti é monótona, é tudo uma pasmaceira. O teu boa noite faz falta e revela-se essencial para o meu bem-estar. Continuo a olhar para o telemóvel sistematicamente. O que tu não sabes é que sou uma estátua de orgulho parada. Sempre parada. Que nunca faz nada para alterar o rumo do quer que seja.
Quero saber onde estás, com quem estás. O Que fazes, o que vês. Quero saber tudo, quero sofrer. Sim, quero sofrer por ti. O sofrer faz-me sentir vivo. Devolveste-me isso. A vida. Onde era um vazio virou luz. O sorriso.
Tu sabes bem que eu ficava aí, nesse teu mundo personalizado e de cor de rosa. Eu morreria e vegetaria nesse teu mundo. Ficava contigo lado a lado, a suar. Nos teus braços eu perdia-me. Nos teus braços eu sobrevivia. Recordo-me quando te despediste da tua varanda e eu segui-a no meu carro cinzento. Vieste receber-me de toalha azul.
Vou guardar tudo o que fizemos e vivemos na minha memória. Não te vou dizer adeus, porque o que tivemos é imortal. Forte e irreal. Merecemos mais do que isto. Por isso digo-te até já, porque eu sei que vais voltar, eu sei que vais e eu vou a correr para ti e para isso basta fazeres um sinal. Eu espero.
Até já.
domingo, 20 de agosto de 2017
Suámos os dois
Medo, tanto medo, eu tenho medo. Nós temos medo. Medo de
nós, medo do que possamos vir a ser. Medo do que imaginamos, medo do que
idealizamos. Medo de ter e sofrer. Medo de esquecer. Medo de perder. Medo de
sentir. Medo, tanto medo. Medo por ter medo. Mas isso não nos impede de
imaginar e ter medo. Muito medo, demasiado medo. Medo de ti e tu de mim. Suámos
os dois. Será que alguém nos entende?
Mas suámos os dois. Dois gritos em seco no nosso silêncio.
Dois corpos envolvidos. Dois corpos foram um só. Agarra-me, peço-te que eu
tenho medo. Medo de te perder, medo de esquecer que isto aconteceu, isso não
vai acontecer! Suámos os dois.
sábado, 19 de agosto de 2017
O primeiro
O que tu me fazes?
Não me largues agora, não me deixes. Dá-me a mão. Vem. Eu
prometo que a dor não nos irá visitar. Anda. Olha. Sentes? Eu sinto. Eu faço,
contigo claro, és mais forte do que eu. Eu sou fraco e frágil. Não te deixo mas
não te forço, entra. Não me contes nada, não quero saber. Todos temos um
passado, há sempre algo que não nos orgulhamos. Não te esqueças que somos o
resultado das experiências que tivemos no passado. O presente é nosso e o
futuro a nós pertence. Não te esqueças que podemos fazer o que quisermos. Não
evites de alterar e controlar o que é teu, não deixes. Eles não merecem, tu és
muito mais do que isso. Tu és muito mais do que eu mereço. És tanto para tão
pouco, eu.
Já te disse que és lindíssima? Ainda não? Já? Ok. De facto, és.
Fazes-me falar imenso, conto-te imensas histórias estéreis. Fascina-me
saber tudo ao meu redor. Tento mostrar-te um pouco do que sei. Ensino-te e
mostro-te um pouco do meu mundo. Sabes que eu tento sempre ter uma explicação
lógica para todos os eventos, tudo tem uma explicação. Nós? Não sei, mas vou encontra-la.
Fazes-me cantar, e eu tenho uma péssima voz, desculpa, não te irei perdoar. Agarro-te.
Demasiado, eu sei. Prendo-te, beijo-te, olho-te. Eu sei que me apanhaste
demasiadas vezes a olhar para ti, mas não sei ainda se te disse que és
lindíssima. Vou-te dizer mais uma vez. Ouviste?
Porque to digo?
Ainda não descobri, é alguma coisa nos teus olhos cor de
avelã, é alguma coisa na tua pele. Ou será o cabelo, gosto dele despenteado e
preso ao teu rosto pelo suor. Ou será o teu nariz, arrebitado e perfeito. O teu
olhar, gosto. Das caretas, quando fazes é porque ficas nervosa e simplesmente fazes
caretas, é a tua maneira de cortares com os silêncios desconfortáveis. Eu sei,
não sabes lidar com isso. É do teu corpo, sim definitivamente esse é um ponto a
ter em consideração. É da tua maneira de ser. Fazes, não perguntas. Sentes, não
te questionas.
Deita-te, vamos aproveitar a paz, a nossa paz.
Quero flutuar contigo, quero que estejas aqui. Quero
respirar contigo, só os dois, apenas nós. Quero entrar em ti e ficar apenas
porque quero. Quero estar aqui, contigo, o presente é simpático. Quero que
queiras.
Já sei tanto sobre ti, não o que tu contas, aquilo que
mostras, já sabes tanto sobre mim, eu disse-te que me fazes falar incessantemente.
As conversas tendem para se banalizar, menos tu.
É isto que me fazes e não tenho medo do que me possas fazer. Nada, nenhum medo.
segunda-feira, 19 de junho de 2017
Ilha
Depressa te descobri, depressa me aceitaste. Assim ficámos. Assim ficamos. Assim.
Antes de tudo o que te possa dizer, quero dizer que "Gosto-te". Reconheço que te gosto. Gosto da tua calma, falsa. Gosto das tuas incertezas. Gosto do teu medo. Gosto da tua insegurança. Gosto das tuas palavras. Gosto da tua voz. Gosto do teu corpo. Gosto-te. Gosto de te imaginar. Gosto e ponto final. Gosto de te ver sempre penteada, mesmo com o vento que nos derruba, gosto de te ver salgada. E porque não de saltos altos, ou até mesmo suada com o rímel a esborratar os teus olhos.
Gosto de te ver assim, como se nunca houvesse mais nenhuma vez, saciar o inevitável. Gosto de te olhar. Gosto das nossas conversas e dos silêncios desconfortáveis. Gosto que tenhas medo, eu provoco isso, eu sei. Gosto de me sentar. Gosto que sejas tu, gosto-te. Não existe vergonha reconhecer aquilo que se tornou óbvio.
Gosto do sabor fresco na minha boca, gosto do vento no meu corpo, gosto da violência do teu mar, gosto do teu rochedo, onde me atraco e me salvaguardo. Gosto de me salvaguardar. Gosto da subsistência, gosto da minha abstinência. Gosto de ficar parado. Gosto de ser recordado e gosto de partir. Partir para outro lado. As ondas embatem no meu corpo. Eu afasto-me. Gosto-te mas infelizmente gosto mais de mim.
Gosto que tenha o controle. Gosto de saber o que me espera. Gosto da certeza imponderada. Gosto calma com a violência do teu mar. Não tenho mais nada a dizer, ou a fazer ou a pedir. Nunca fui muito de sonhar ou de imaginar o quer que seja. Gosto do que tenho e sou dono de tudo o que é meu. Ficaremos bem um sem o outro, poderás pensar no que teria sido. Depois de uma vida vamos nos sentar e contar as nossas histórias, na tua ilha onde me atraco.
Antes de tudo o que te possa dizer, quero dizer que "Gosto-te". Reconheço que te gosto. Gosto da tua calma, falsa. Gosto das tuas incertezas. Gosto do teu medo. Gosto da tua insegurança. Gosto das tuas palavras. Gosto da tua voz. Gosto do teu corpo. Gosto-te. Gosto de te imaginar. Gosto e ponto final. Gosto de te ver sempre penteada, mesmo com o vento que nos derruba, gosto de te ver salgada. E porque não de saltos altos, ou até mesmo suada com o rímel a esborratar os teus olhos.
Gosto de te ver assim, como se nunca houvesse mais nenhuma vez, saciar o inevitável. Gosto de te olhar. Gosto das nossas conversas e dos silêncios desconfortáveis. Gosto que tenhas medo, eu provoco isso, eu sei. Gosto de me sentar. Gosto que sejas tu, gosto-te. Não existe vergonha reconhecer aquilo que se tornou óbvio.
Gosto do sabor fresco na minha boca, gosto do vento no meu corpo, gosto da violência do teu mar, gosto do teu rochedo, onde me atraco e me salvaguardo. Gosto de me salvaguardar. Gosto da subsistência, gosto da minha abstinência. Gosto de ficar parado. Gosto de ser recordado e gosto de partir. Partir para outro lado. As ondas embatem no meu corpo. Eu afasto-me. Gosto-te mas infelizmente gosto mais de mim.
Gosto que tenha o controle. Gosto de saber o que me espera. Gosto da certeza imponderada. Gosto calma com a violência do teu mar. Não tenho mais nada a dizer, ou a fazer ou a pedir. Nunca fui muito de sonhar ou de imaginar o quer que seja. Gosto do que tenho e sou dono de tudo o que é meu. Ficaremos bem um sem o outro, poderás pensar no que teria sido. Depois de uma vida vamos nos sentar e contar as nossas histórias, na tua ilha onde me atraco.
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