O que tu me fazes?
Não me largues agora, não me deixes. Dá-me a mão. Vem. Eu
prometo que a dor não nos irá visitar. Anda. Olha. Sentes? Eu sinto. Eu faço,
contigo claro, és mais forte do que eu. Eu sou fraco e frágil. Não te deixo mas
não te forço, entra. Não me contes nada, não quero saber. Todos temos um
passado, há sempre algo que não nos orgulhamos. Não te esqueças que somos o
resultado das experiências que tivemos no passado. O presente é nosso e o
futuro a nós pertence. Não te esqueças que podemos fazer o que quisermos. Não
evites de alterar e controlar o que é teu, não deixes. Eles não merecem, tu és
muito mais do que isso. Tu és muito mais do que eu mereço. És tanto para tão
pouco, eu.
Já te disse que és lindíssima? Ainda não? Já? Ok. De facto, és.
Fazes-me falar imenso, conto-te imensas histórias estéreis. Fascina-me
saber tudo ao meu redor. Tento mostrar-te um pouco do que sei. Ensino-te e
mostro-te um pouco do meu mundo. Sabes que eu tento sempre ter uma explicação
lógica para todos os eventos, tudo tem uma explicação. Nós? Não sei, mas vou encontra-la.
Fazes-me cantar, e eu tenho uma péssima voz, desculpa, não te irei perdoar. Agarro-te.
Demasiado, eu sei. Prendo-te, beijo-te, olho-te. Eu sei que me apanhaste
demasiadas vezes a olhar para ti, mas não sei ainda se te disse que és
lindíssima. Vou-te dizer mais uma vez. Ouviste?
Porque to digo?
Ainda não descobri, é alguma coisa nos teus olhos cor de
avelã, é alguma coisa na tua pele. Ou será o cabelo, gosto dele despenteado e
preso ao teu rosto pelo suor. Ou será o teu nariz, arrebitado e perfeito. O teu
olhar, gosto. Das caretas, quando fazes é porque ficas nervosa e simplesmente fazes
caretas, é a tua maneira de cortares com os silêncios desconfortáveis. Eu sei,
não sabes lidar com isso. É do teu corpo, sim definitivamente esse é um ponto a
ter em consideração. É da tua maneira de ser. Fazes, não perguntas. Sentes, não
te questionas.
Deita-te, vamos aproveitar a paz, a nossa paz.
Quero flutuar contigo, quero que estejas aqui. Quero
respirar contigo, só os dois, apenas nós. Quero entrar em ti e ficar apenas
porque quero. Quero estar aqui, contigo, o presente é simpático. Quero que
queiras.
Já sei tanto sobre ti, não o que tu contas, aquilo que
mostras, já sabes tanto sobre mim, eu disse-te que me fazes falar incessantemente.
As conversas tendem para se banalizar, menos tu.
É isto que me fazes e não tenho medo do que me possas fazer. Nada, nenhum medo.
Sem comentários:
Enviar um comentário