quarta-feira, 14 de maio de 2014
Encontro
Nunca estivemos perto como agora, não achas? Sim. A distância encurtou-se. Nunca estivemos tão perto de nos tocar. Reconheci-te logo, eu disse-te que isso iria acontecer. Reconheceste-me? Não me respondas, não. Eu não quero saber. Antes de ti eu não tinha a certeza, agora muito menos. As nossas certezas servem para se por em causa. Nunca estivemos tão perto de nos tocarmos. Nunca.
Reconheci o teu cabelo. Reconheci o teu sorriso. Reconheci o teu olhar. Reconheci o teu corpo. A tua pele. Reconheci o que sempre conheci. Eu e tu somos iguais nesta estrada que nos guia.
-Olá. Costumas vir aqui.
-Não. Vim aqui porque me disseste para vir.
-Pedi-te?
-Não. Fui eu que te pedi para me aceitares.
-Está vento.
-Vamos?
-Para onde?
-Isso é importante?
E assim seguiram à beira mar. Ela contou-lhe várias histórias que se revia a cada palavra. Ele escutava-a.
Muitas vezes ela apanhou-o a observá-la, às escondidas. Ela gosta disso mas nada diz. Ele nada diz a não ser observá-la. Tanta coisa por fazer e tão pouco tempo entre os dois.
Não tem novas mensagens
“Não tem novas mensagens”.
Um carro cinzento, numa rua pouco iluminada. Os postes de luz apagam e acendem como se tratasse de um qualquer placar de néon. O carro cinzento. Lá dentro, música. Anormalmente alta. Ouvia-se uma voz para afastar a solidão. O trajecto é sempre o mesmo.
Sempre mais do mesmo.
A mesma coisa.
Subi os degraus, sem acender a luz. O ódio de morte pela luz. As necessidades banais de iluminar um caminho. Um farol qualquer nesta minha enseada. Assim.
Lá em cima, no último andar. Abro a porta. Fecho a porta. Encosto o ouvido à porta. Delicio-me com o silêncio.
Deixo a minha pasta, cheia de sonhos e planos, em cima da mesa da cozinha. Olho para a marquise. Do outro lado luz. Abro a porta do frigorífico e retiro algo fresco para matar a minha sede. Entretanto, encosto-me à porta.
Sempre mais do mesmo.
A mesma coisa.
Teimo em carregar a tecla azul do meu telefone e do outro lado diz sempre a mesma coisa. “Não tem novas mensagens”. Nunca há novidades nesta terra. Nem um amigo, qualquer, que se lembre que deixou aqui um isqueiro, um filme, um copo, uma coisa qualquer. Também nunca dei este número a ninguém e não consta em qualquer lista telefónica. Não me interessa. Eu quero uma mensagem.
Agarro na minha bebida fresca. Cerveja, geralmente. Sento-me no chão encostado à porta. Daqui consigo ver luzes. Do outro lado um mundo. E eu, não tenho novas mensagens.
Depois de te conhecer, morro um pouco mais
Um carro cinzento, numa rua pouco iluminada. Os postes de luz apagam e acendem como se tratasse de um qualquer placar de néon. O carro cinzento. Lá dentro, música. Anormalmente alta. Ouvia-se uma voz para afastar a solidão. O trajecto é sempre o mesmo.
Sempre mais do mesmo.
A mesma coisa.
Subi os degraus, sem acender a luz. O ódio de morte pela luz. As necessidades banais de iluminar um caminho. Um farol qualquer nesta minha enseada. Assim.
Lá em cima, no último andar. Abro a porta. Fecho a porta. Encosto o ouvido à porta. Delicio-me com o silêncio.
Deixo a minha pasta, cheia de sonhos e planos, em cima da mesa da cozinha. Olho para a marquise. Do outro lado luz. Abro a porta do frigorífico e retiro algo fresco para matar a minha sede. Entretanto, encosto-me à porta.
Sempre mais do mesmo.
A mesma coisa.
Teimo em carregar a tecla azul do meu telefone e do outro lado diz sempre a mesma coisa. “Não tem novas mensagens”. Nunca há novidades nesta terra. Nem um amigo, qualquer, que se lembre que deixou aqui um isqueiro, um filme, um copo, uma coisa qualquer. Também nunca dei este número a ninguém e não consta em qualquer lista telefónica. Não me interessa. Eu quero uma mensagem.
Agarro na minha bebida fresca. Cerveja, geralmente. Sento-me no chão encostado à porta. Daqui consigo ver luzes. Do outro lado um mundo. E eu, não tenho novas mensagens.
Depois de te conhecer, morro um pouco mais
terça-feira, 13 de maio de 2014
O que tu me fazes
Parei de escrever. Espero que tenhas notado. As palavras não saem. As ideias flutuam nas minhas históricas incógnitas. O que tu me fazes.
Onde me perco é o onde navegas, neste silêncio embaraçoso, eu aqui fico. Gritei. Ouviste. Paro, para esta dor poder passar. A dor da tua ausência. O que tu me fazes.
Nunca te perguntei nada e tu nada respondeste. Fizeste o mesmo. Absorvemo-nos pela alma. Aquilo que mais amamos é a nossa preservação. Estamos cansados de estar isolados quando tu me completas. Quando tu me preenches. Gostava de gritar o teu nome. Depois de te ter dito aquilo que queria, sorri. Passei o dia a sorrir. Uma alegria estúpida de ter sido honesto, contigo e comigo. Já passaram uns anos da última vez. Voltei a sorrir. Sem esforço. O que tu me fazes.
Gostava que estivesses aqui, a meu lado. Enquanto escrevo estes pensamentos inúteis. Este meu dormir que cansa. Estas motivações que me desorientam. Estas vontades que escondo. Esse teu olhar que aprendi a amar. Este teu vazio que me completa. O que tu me fazes.
Hoje, espero por ti, mais um dia. Olho ao meu redor e penso no que tu me fazes.
Onde me perco é o onde navegas, neste silêncio embaraçoso, eu aqui fico. Gritei. Ouviste. Paro, para esta dor poder passar. A dor da tua ausência. O que tu me fazes.
Nunca te perguntei nada e tu nada respondeste. Fizeste o mesmo. Absorvemo-nos pela alma. Aquilo que mais amamos é a nossa preservação. Estamos cansados de estar isolados quando tu me completas. Quando tu me preenches. Gostava de gritar o teu nome. Depois de te ter dito aquilo que queria, sorri. Passei o dia a sorrir. Uma alegria estúpida de ter sido honesto, contigo e comigo. Já passaram uns anos da última vez. Voltei a sorrir. Sem esforço. O que tu me fazes.
Gostava que estivesses aqui, a meu lado. Enquanto escrevo estes pensamentos inúteis. Este meu dormir que cansa. Estas motivações que me desorientam. Estas vontades que escondo. Esse teu olhar que aprendi a amar. Este teu vazio que me completa. O que tu me fazes.
Hoje, espero por ti, mais um dia. Olho ao meu redor e penso no que tu me fazes.
sexta-feira, 9 de maio de 2014
Abraça-me agora
Porque passaste por aqui?
Antes de tentar-te, flutuo em mim. A vontade nunca foi muita, pouco resta de mim no meu tempo.Perco tempo a salvar-te. Perco o meu tempo a saciar o meu desespero, e assim apareces-te. Desespero por isto tudo que me maltrata. Nada em mim vence a rotina. A rotina entregue à vida, que sem ti não se pode chamar o mesmo nome.Lembro-me quando te aproximaste, eu fugi, tu fugiste, fugimos os dois, para ficarmos no mesmo sitio. Agora e sempre venci o meu tempo.
Encontrámo-nos em palavras, perdemo-nos nelas.Nada daquilo que mostramos representa o nosso medo. O medo de nos termos, assim, tão bom, tão calmo e sereno por entre toques e sorrisos. Abraça-me, não me deixes ir embora. A pouco e pouco invento a minha realidade próxima da minha. A segunda lua do meu mundo, este mundo de caos e desespero. entre as nossas incertezas o perigo é sermos nós próprios e descobrirmos isso. Nada acontece se nada fizermos. O perigo de se estar parado, gelado entregue ao vicio do silêncio, abraça-me, que estou quase a partir.
Ele, há muito que tinha desistido de tentar, nunca tinha tempo, ela, sonhava por tentar. existem sempre os problemas irresolúveis e solúveis em água. Não existe tempo para se perder com o tempo que não te pertence. As riquezas de um silêncio é quando se quebra. Ela, Ela é ela, um reflexo, um espelho, uma sombra distorcida da realidade que projecto, assim fico e abraça-me, não me deixes partir.
Tudo começa num olá e acaba num adeus, o que me interessa é o que fica entre isso. A descoberta, o desejo e a irritação porque todas as histórias de amor são maravilhosas, porque são curtas. Mas maravilhosas para escrever.
Encontraram-se à beira mar, tinham combinado num telefonema, seco e curto.
-Quero-te ver.
-Porquê?
-Para isto poder morrer.
Morrer da mesma maneira que começou, entre palavras. Nunca será assim tão fácil. Abraça-me que eu prometo que te abraço também.
Antes de tentar-te, flutuo em mim. A vontade nunca foi muita, pouco resta de mim no meu tempo.Perco tempo a salvar-te. Perco o meu tempo a saciar o meu desespero, e assim apareces-te. Desespero por isto tudo que me maltrata. Nada em mim vence a rotina. A rotina entregue à vida, que sem ti não se pode chamar o mesmo nome.Lembro-me quando te aproximaste, eu fugi, tu fugiste, fugimos os dois, para ficarmos no mesmo sitio. Agora e sempre venci o meu tempo.
Encontrámo-nos em palavras, perdemo-nos nelas.Nada daquilo que mostramos representa o nosso medo. O medo de nos termos, assim, tão bom, tão calmo e sereno por entre toques e sorrisos. Abraça-me, não me deixes ir embora. A pouco e pouco invento a minha realidade próxima da minha. A segunda lua do meu mundo, este mundo de caos e desespero. entre as nossas incertezas o perigo é sermos nós próprios e descobrirmos isso. Nada acontece se nada fizermos. O perigo de se estar parado, gelado entregue ao vicio do silêncio, abraça-me, que estou quase a partir.
Ele, há muito que tinha desistido de tentar, nunca tinha tempo, ela, sonhava por tentar. existem sempre os problemas irresolúveis e solúveis em água. Não existe tempo para se perder com o tempo que não te pertence. As riquezas de um silêncio é quando se quebra. Ela, Ela é ela, um reflexo, um espelho, uma sombra distorcida da realidade que projecto, assim fico e abraça-me, não me deixes partir.
Tudo começa num olá e acaba num adeus, o que me interessa é o que fica entre isso. A descoberta, o desejo e a irritação porque todas as histórias de amor são maravilhosas, porque são curtas. Mas maravilhosas para escrever.
Encontraram-se à beira mar, tinham combinado num telefonema, seco e curto.
-Quero-te ver.
-Porquê?
-Para isto poder morrer.
Morrer da mesma maneira que começou, entre palavras. Nunca será assim tão fácil. Abraça-me que eu prometo que te abraço também.
sexta-feira, 2 de maio de 2014
Um vazio entre nós
Se o universo produzisse algo mais semelhante seriam um só, as dores são as mesmas, o medo é igual. O medo de estragar aquilo que pode ser. Ninguém é perfeito mas a perfeição é cheia de imperfeições. Eu sou a tua imperfeição e tu, és o que conheço mais perto de um bem estar.
Conheci-te pelo cabelo e pelo cheiro. Pelas palavras, sempre foram iguais. Eles são duas linhas de comboio que não se cruzam mas nunca se abandonam!
Já te disse que és o momento alto do meu dia e com tudo o que significa. Eu sei que para ti são apenas palavras, para mim é muito, demasiado. É o máximo que te posso dizer. Somos, os dois, um vazio entre nós que preenchemos com os nossos espaços, que preenchemos com o nosso corpo que enchemos na nossa vontade. O meu dia não tem sentido se não te vir.
O meu dia torna-se mais difícil sem o vazio entre nós. Eu tinha-te dito que o primeiro beijo era imemorável, e foi. Tinha-te dito que ainda estavas a tempo de fugir, quem devia ter fugido era eu, entre o vazio entre nós.
Nunca se disse tanto em tão pouco, mas quer-se dizer mais e mais e muito mais.
Ela é como o vidro, ele sente que é tão fácil fazê-la chorar. Deve ser exasperante ver-te chorar, provávelmente chora no escuro e escondida, para ninguém saber que o sente. Ele não a quer ver chorar, não aguenta isso. Mas o vidro torna-se uma ilha de sonhos e esperanças que se inventa no final do dia para se reerguer com novas esperanças, isso eu não consigo. Tu consegues. Ela quer demasiado sentir, quando toda a gente sente por ela, idolatrada entre os mortais agitando o cabelo.
Eu e tu somos iguais, as barreiras eram tão altas que foram ultrapassadas com um passo. Ela e ele, com um vazio entre eles.
Conheci-te pelo cabelo e pelo cheiro. Pelas palavras, sempre foram iguais. Eles são duas linhas de comboio que não se cruzam mas nunca se abandonam!
Já te disse que és o momento alto do meu dia e com tudo o que significa. Eu sei que para ti são apenas palavras, para mim é muito, demasiado. É o máximo que te posso dizer. Somos, os dois, um vazio entre nós que preenchemos com os nossos espaços, que preenchemos com o nosso corpo que enchemos na nossa vontade. O meu dia não tem sentido se não te vir.
O meu dia torna-se mais difícil sem o vazio entre nós. Eu tinha-te dito que o primeiro beijo era imemorável, e foi. Tinha-te dito que ainda estavas a tempo de fugir, quem devia ter fugido era eu, entre o vazio entre nós.
Nunca se disse tanto em tão pouco, mas quer-se dizer mais e mais e muito mais.
Ela é como o vidro, ele sente que é tão fácil fazê-la chorar. Deve ser exasperante ver-te chorar, provávelmente chora no escuro e escondida, para ninguém saber que o sente. Ele não a quer ver chorar, não aguenta isso. Mas o vidro torna-se uma ilha de sonhos e esperanças que se inventa no final do dia para se reerguer com novas esperanças, isso eu não consigo. Tu consegues. Ela quer demasiado sentir, quando toda a gente sente por ela, idolatrada entre os mortais agitando o cabelo.
Eu e tu somos iguais, as barreiras eram tão altas que foram ultrapassadas com um passo. Ela e ele, com um vazio entre eles.
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