“Não tem novas mensagens”.
Um carro cinzento, numa rua pouco iluminada. Os postes de luz apagam e acendem como se tratasse de um qualquer placar de néon. O carro cinzento. Lá dentro, música. Anormalmente alta. Ouvia-se uma voz para afastar a solidão. O trajecto é sempre o mesmo.
Sempre mais do mesmo.
A mesma coisa.
Subi os degraus, sem acender a luz. O ódio de morte pela luz. As necessidades banais de iluminar um caminho. Um farol qualquer nesta minha enseada. Assim.
Lá em cima, no último andar. Abro a porta. Fecho a porta. Encosto o ouvido à porta. Delicio-me com o silêncio.
Deixo a minha pasta, cheia de sonhos e planos, em cima da mesa da cozinha. Olho para a marquise. Do outro lado luz. Abro a porta do frigorífico e retiro algo fresco para matar a minha sede. Entretanto, encosto-me à porta.
Sempre mais do mesmo.
A mesma coisa.
Teimo em carregar a tecla azul do meu telefone e do outro lado diz sempre a mesma coisa. “Não tem novas mensagens”. Nunca há novidades nesta terra. Nem um amigo, qualquer, que se lembre que deixou aqui um isqueiro, um filme, um copo, uma coisa qualquer. Também nunca dei este número a ninguém e não consta em qualquer lista telefónica. Não me interessa. Eu quero uma mensagem.
Agarro na minha bebida fresca. Cerveja, geralmente. Sento-me no chão encostado à porta. Daqui consigo ver luzes. Do outro lado um mundo. E eu, não tenho novas mensagens.
Depois de te conhecer, morro um pouco mais
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