sexta-feira, 2 de maio de 2014

Um vazio entre nós

Se o universo produzisse algo mais semelhante seriam um só, as dores são as mesmas, o medo é igual. O medo de estragar aquilo que pode ser. Ninguém é perfeito mas a perfeição é cheia de imperfeições. Eu sou a tua imperfeição e tu, és o que conheço mais perto de um bem estar.

Conheci-te pelo cabelo e pelo cheiro. Pelas palavras, sempre foram iguais. Eles são duas linhas de comboio que não se cruzam mas nunca se abandonam!

Já te disse que és o momento alto do meu dia e com tudo o que significa. Eu sei que para ti são apenas palavras, para mim é muito, demasiado. É o máximo que te posso dizer. Somos, os dois, um vazio entre nós que preenchemos com os nossos espaços, que preenchemos com o nosso corpo que enchemos na nossa vontade. O meu dia não tem sentido se não te vir.

O meu dia torna-se mais difícil sem o vazio entre nós. Eu tinha-te dito que o primeiro beijo era imemorável, e foi. Tinha-te dito que ainda estavas a tempo de fugir, quem devia ter fugido era eu, entre o vazio entre nós.
Nunca se disse tanto em tão pouco, mas quer-se dizer mais e mais e muito mais.

Ela é como o vidro, ele sente que é tão fácil fazê-la chorar. Deve ser exasperante ver-te chorar, provávelmente chora no escuro e escondida, para ninguém saber que o sente. Ele não a quer ver chorar, não aguenta isso. Mas o vidro torna-se uma ilha de sonhos e esperanças que se inventa no final do dia para se reerguer com novas esperanças, isso eu não consigo. Tu consegues. Ela quer demasiado sentir, quando toda a gente sente por ela, idolatrada entre os mortais agitando o cabelo.

Eu e tu somos iguais, as barreiras eram tão altas que foram ultrapassadas com um passo. Ela e ele, com um vazio entre eles.

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