quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Beleza


Porra, a tua beleza magoa-me

A tua calma impressiona-me

A tua cara envergonha-me

O teu corpo humilha-me

A maneira com falas cativa-me

O teu olhar desarma-me

A tua inteligência impressiona-me

O teu abraço devora-me…



Merda, tu deixas-me indefeso sem saber o que fazer (eu não gosto disso, vais ter que pagar)

Só sei que quero libertar-me deste meu corpo que está a mais e por ser tão banal só atrapalha

Quando tu és a minha única falha,

Porque foda-se, és tão bonita que não te consigo tocar!

2º andar


Agora sim, agora moro sozinho, aqui, longe de tudo e perto de mim, neste 2º andar. Sou dono de tudo aquilo que é meu, é pouco mas é meu e acredita que quase gosto desta minha nova vida. Eu sei que não é fácil ser sempre o mesmo a todas as horas, habituar-me a desgostos, chafurdar na lama para encontrar um apoio, mas sinto que quase gosto desta minha nova vida, não há barulho, apenas silêncio que morre nesta minha fronteira.

Tenho que me habituar ao meu corpo, ao meu rosto, a estes defeitos que tem uma tendência mórbida para piorar ao longos dos anos, como se fosse apenas para nos lembrar que a vida passa neste 2º andar. Já não me olho ao espelho como me olhava, cada vez é mais longe e cada vez custa mais. Apago a luz e sento-me no chão. Silêncio.

Já não quero mudar o mundo, apenas o meu mundo, o meu mundo sofre metamorfoses diárias em ciclos de degelo que afundam no álcool, é nesta altura que as memórias seguem-me, perturbam-me fecho os olhos e continuam aqui, merda para as memórias o meu mundo é o meu mundo. Tive de abdicar de tudo, enviar tudo pela janela, mostrar a mim próprio que as vitórias são as mudanças, sofrer em vão sempre foi agradável e eu gosto de sofrer por coisas impróprias que não tem noção de crescer, abdiquei de tudo e entre elas de ti. Foi simples ver-te morrer, sofri por te ver morrer das minhas memórias.

Olhando para trás, longe vão os tempos do adolescente rebelde que queria mudar a vontade, apenas por mudar, mas vendi-me por dinheiro e bem-estar, era muito, demasiado para aquilo que imaginava e sim agora moro sozinho, o meu 2º andar é calmo. Por momentos sinto que gosto desta vida!

Nunca gostei dela, desta vida que me persegue e arrasta, agora limito-me a aceitá-la,

Passam pessoas, nunca ficam muito tempo. Continuam a vir aqui, tocam à campainha e entram, eu sei, continuo a abrir a porta, mas quero sentir sangue e toque. Por vezes tenho alguma dificuldade em memorizar os nomes, os corpos e os rostos. Sou um vampiro, roubo momentos e escrevo sobre eles, tenho uma tendência para sobrevalorizá-los, apenas com o intuito de sentir aquilo que não sinto há muito tempo, vivo. Não suporto partilhar o espaço e a escova de dentes, aqueles olhares já não me seduzem apenas me conformam. Sim, moro sozinho aqui no 2º andar, quase gosto disto e vendi-me por tanto que se revelou tão pouco.

A maior parte das noites estou bêbado, sentado no chão frio, com um copo na mão, perdido no escuro. Já não tenho o hábito de sair à noite na esperança de ser encontrado. Aliás, já ninguém se lembra de mim. Ninguém sabe o meu nome e assim eu aceito e gosto. Nunca fui muito de criar raízes, como sabes. Porque depois de nós, quase gosto disto.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Tempestade de Água e Sal

Não te consigo esquecer. É impossível. Tu não foste uma brisa, foste uma tempestade que abanou tudo e destruiu tudo e tudo continua. Abanaste tudo, sabes que um abalo sísmico é a energia vezes a massa, tu és mais ou menos isso.

Tudo me faz lembrar-te, tudo. Tudo me faz recordar-te. Tudo, Aquela noite. A nossa tarde. Fomos tanto com tão pouco, assim, por mim e por ti. Fomos tanto. Lembro-me de tudo. Do teu sorriso, da vontade. És tão bonita, apetece-me apertar-te, não te largar. O teu sorriso, as caretas, fica. Fica só mais uma vez, depois podes deixar-me, até a outro dia. Fica porque queremos. Sabes que eu sou uma estátua de orgulho e assim serei, tu não. Fica para depois abandonares-me, como e quando quiseres.

Lembro-me do susto que apanhámos. Será o nosso segredo. Eu num avião e tu longe. Jamais seremos indiferentes. Sabes que jamais sairemos da vida de um do outro. Teremos sempre o nosso espaço. Lembro-me de não me importar. Lembro-me.

Falámos imenso que andámos sempre perto e nunca nos encontrámos. Era estranho. Estranho. Ambos, agora, sabemos porquê. Porque tu és uma tempestade de água e sal que inunda o meu espaço e agita a minha vontade.

Quero que saibas que não te consigo esquecer, até já.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Até Já


O dia custa a passar sem o teu bom dia, não é o mesmo. A noite sem ti é monótona, é tudo uma pasmaceira. O teu boa noite faz falta e revela-se essencial para o meu bem-estar. Continuo a olhar para o telemóvel sistematicamente. O que tu não sabes é que sou uma estátua de orgulho parada. Sempre parada. Que nunca faz nada para alterar o rumo do quer que seja.

Quero saber onde estás, com quem estás. O Que fazes, o que vês. Quero saber tudo, quero sofrer. Sim, quero sofrer por ti. O sofrer faz-me sentir vivo. Devolveste-me isso. A vida. Onde era um vazio virou luz. O sorriso.

Tu sabes bem que eu ficava aí, nesse teu mundo personalizado e de cor de rosa. Eu morreria e vegetaria nesse teu mundo. Ficava contigo lado a lado, a suar. Nos teus braços eu perdia-me. Nos teus braços eu sobrevivia. Recordo-me quando te despediste da tua varanda e eu segui-a no meu carro cinzento. Vieste receber-me de toalha azul.

Vou guardar tudo o que fizemos e vivemos na minha memória. Não te vou dizer adeus, porque o que tivemos é imortal. Forte e irreal. Merecemos mais do que isto. Por isso digo-te até já, porque eu sei que vais voltar, eu sei que vais e eu vou a correr para ti e para isso basta fazeres um sinal. Eu espero.

Até já.

domingo, 20 de agosto de 2017

Suámos os dois


Medo, tanto medo, eu tenho medo. Nós temos medo. Medo de nós, medo do que possamos vir a ser. Medo do que imaginamos, medo do que idealizamos. Medo de ter e sofrer. Medo de esquecer. Medo de perder. Medo de sentir. Medo, tanto medo. Medo por ter medo. Mas isso não nos impede de imaginar e ter medo. Muito medo, demasiado medo. Medo de ti e tu de mim. Suámos os dois. Será que alguém nos entende?

Mas suámos os dois. Dois gritos em seco no nosso silêncio. Dois corpos envolvidos. Dois corpos foram um só. Agarra-me, peço-te que eu tenho medo. Medo de te perder, medo de esquecer que isto aconteceu, isso não vai acontecer! Suámos os dois.

sábado, 19 de agosto de 2017

O primeiro


O que tu me fazes?

Não me largues agora, não me deixes. Dá-me a mão. Vem. Eu prometo que a dor não nos irá visitar. Anda. Olha. Sentes? Eu sinto. Eu faço, contigo claro, és mais forte do que eu. Eu sou fraco e frágil. Não te deixo mas não te forço, entra. Não me contes nada, não quero saber. Todos temos um passado, há sempre algo que não nos orgulhamos. Não te esqueças que somos o resultado das experiências que tivemos no passado. O presente é nosso e o futuro a nós pertence. Não te esqueças que podemos fazer o que quisermos. Não evites de alterar e controlar o que é teu, não deixes. Eles não merecem, tu és muito mais do que isso. Tu és muito mais do que eu mereço. És tanto para tão pouco, eu. 

Já te disse que és lindíssima? Ainda não? Já? Ok. De facto, és.

Fazes-me falar imenso, conto-te imensas histórias estéreis. Fascina-me saber tudo ao meu redor. Tento mostrar-te um pouco do que sei. Ensino-te e mostro-te um pouco do meu mundo. Sabes que eu tento sempre ter uma explicação lógica para todos os eventos, tudo tem uma explicação. Nós? Não sei, mas vou encontra-la. Fazes-me cantar, e eu tenho uma péssima voz, desculpa, não te irei perdoar. Agarro-te. Demasiado, eu sei. Prendo-te, beijo-te, olho-te. Eu sei que me apanhaste demasiadas vezes a olhar para ti, mas não sei ainda se te disse que és lindíssima. Vou-te dizer mais uma vez. Ouviste?

Porque to digo? 

Ainda não descobri, é alguma coisa nos teus olhos cor de avelã, é alguma coisa na tua pele. Ou será o cabelo, gosto dele despenteado e preso ao teu rosto pelo suor. Ou será o teu nariz, arrebitado e perfeito. O teu olhar, gosto. Das caretas, quando fazes é porque ficas nervosa e simplesmente fazes caretas, é a tua maneira de cortares com os silêncios desconfortáveis. Eu sei, não sabes lidar com isso. É do teu corpo, sim definitivamente esse é um ponto a ter em consideração. É da tua maneira de ser. Fazes, não perguntas. Sentes, não te questionas.

Deita-te, vamos aproveitar a paz, a nossa paz.

Quero flutuar contigo, quero que estejas aqui. Quero respirar contigo, só os dois, apenas nós. Quero entrar em ti e ficar apenas porque quero. Quero estar aqui, contigo, o presente é simpático. Quero que queiras.

Já sei tanto sobre ti, não o que tu contas, aquilo que mostras, já sabes tanto sobre mim, eu disse-te que me fazes falar incessantemente. As conversas tendem para se banalizar, menos tu.

É isto que me fazes e não tenho medo do que me possas fazer. Nada, nenhum medo.


segunda-feira, 19 de junho de 2017

Ilha

Depressa te descobri, depressa me aceitaste. Assim ficámos. Assim ficamos. Assim.

Antes de tudo o que te possa dizer, quero dizer que "Gosto-te". Reconheço que te gosto. Gosto da tua calma, falsa. Gosto das tuas incertezas. Gosto do teu medo. Gosto da tua insegurança. Gosto das tuas palavras. Gosto da tua voz. Gosto do teu corpo. Gosto-te. Gosto de te imaginar. Gosto e ponto final. Gosto de te ver sempre penteada, mesmo com o vento que nos derruba, gosto de te ver salgada. E porque não de saltos altos, ou até mesmo suada com o rímel a esborratar os teus olhos.
Gosto de te ver assim, como se nunca houvesse mais nenhuma vez, saciar o inevitável. Gosto de te olhar. Gosto das nossas conversas e dos silêncios desconfortáveis. Gosto que tenhas medo, eu provoco isso, eu sei. Gosto de me sentar. Gosto que sejas tu, gosto-te. Não existe vergonha reconhecer aquilo que se tornou óbvio.

Gosto do sabor fresco na minha boca, gosto do vento no meu corpo, gosto da violência do teu mar, gosto do teu rochedo, onde me atraco e me salvaguardo. Gosto de me salvaguardar. Gosto da subsistência, gosto da minha abstinência. Gosto de ficar parado. Gosto de ser recordado e gosto de partir. Partir para outro lado. As ondas embatem no meu corpo. Eu afasto-me. Gosto-te mas infelizmente gosto mais de mim.

Gosto que tenha o controle. Gosto de saber o que me espera. Gosto da certeza imponderada. Gosto calma com a violência do teu mar. Não tenho mais nada a dizer, ou a fazer ou a pedir. Nunca fui muito de sonhar ou de imaginar o quer que seja. Gosto do que tenho e sou dono de tudo o que é meu. Ficaremos bem um sem o outro, poderás pensar no que teria sido. Depois de uma vida vamos nos sentar e contar as nossas histórias, na tua ilha onde me atraco.



sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Finalmente

São 23 horas. Estou à porta da faculdade. Silêncio. Escuro. Silêncio e frio. Finalmente parei, entre reuniões e aulas de tese o meu dia passa devagar. Devagar e calmo. O primeiro pensamento é para ti. Estás longe, eu sei, imagino o que estás a fazer. Imagino que voas noutras coisas, coisas mais rentáveis do que eu. Imagino o teu mundo, imagino aquilo que gostava de conhecer. O tempo nunca e simpático e eu por aqui fico. Vou ficar estacionado mais um pouco antes de ir para o silêncio da minha casa, vestir o pijama e ver um filme qualquer.

Não te vou procurar mais enquanto as minhas coisas não estiverem calmas e paradas. O meu mundo para colidir com o teu tem que ter espaço, espaço para o teu. Se não for assim não vale a pena. As colisões são o que são e as minhas são controladas. Espero encontrar-te um dia com mais tempo e tu com tempo, encontrei-te em palavras e afasto-me nelas. Tiveste o dom de me fazer escrever outra vez, tiveste o dom de te procurar e de te desejar. De te querer ouvir de saber como tinha sido o teu dia, de querer saber tudo sobre ti. De te querer mais do que podia. Eu sei que não fomos nada. Eu sei que faltava tudo e eu como sempre mato tudo antes de que algo me possa magoar e magoar-te. Eu sei que é ridículo e estúpido mas é a minha auto preservação de me manter assim com tudo que possa controlar.

Continuo a olhar para o telemóvel à tua procura com uma vontade terrível de te ouvir e saber que estás melhor. Estás? Um beijo até já.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Queria

Eu queria amar-te, sim tu, a tal que encontrei em palavras e vou perdendo em sonhos. Queria rasgar as tuas roupas, invadir o teu espaço, percorrer cada imperfeição com voracidade típica dos alucinados. Queria ter medo, muito medo mas entre toques e  palavras, desafiamo-nos mutuamente. Assim. Entre o nosso sangue e suor que se evita na nossa guerra. Mais um passo e não volto atrás, já não consigo voltar atrás. Queria conquistar o teu mundo e depois colocar uma bandeira. Tatuar-te na tua pele branca a vontade do meu desejo. O teu mundo foi feito para ser conquistado com a violência de uma beijo, o meu? É quadrado, cheio de arestas vivas que me ferem que não aguentam a violência de um beijo. Queria trocar saliva, linfa e lágrimas, contigo, tudo num só olhar. Sentar-me no teu mundo e decorá-lo como tu queres. Pedir-te um desejo e enquanto o esperava, olhava para ti.

Eu queria incomodar-te, de todas as maneiras que acho reprováveis. Queria mostrar-te o quanto é menos do que imenso e que nada é apenas um ponto de partida. Queria fazer-te chorar para depois te fazer rir, queria fazer o teu coração pular, queria invadir-te e ficar. Parado. Assim. Cantando canções antigas. Encontrei-te em palavras, descobri-te na multidão.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Ponto SR

Quando é que sabes que gostas de alguém?
Quando escrevo sobre ela!


Saber que estás longe, não ajuda. Saber que estás sozinha, não aproxima. Saber que és e estás e eu sou e estou aqui. Saber que existes, não beneficia em nada. Passámos o dia a falar. Trocámos mensagens. Sempre cordiais e simpáticas. Adormeci contigo a meu lado. O carro vai cada vez mais depressa. O que tu não sabes é o que me fazes, a tua falta em mim, a tua ausência em mim, a tua dor em mim. A vontade de saber mais sobre ti, tudo sobre ti porque o que sei chateia, é demasiado igual. Ambos vivemos por convicções. Ambos aprendemos a ser aquilo que somos. Temos uma vida, sangue em nós que se ergue como uma barreira quase inexpugnável. A vontade de saber sempre um pouco mais para se recuar um pouco. O tempo das descobertas é sempre simpático e calmo. O carro continua a ir depressa.  Eu estou bem aqui. O descobrir o mundo a dois. O inventar tudo a dois e depois porque eu já vi tudo, eu já fiz tudo, eu já senti tudo e pouca coisa me surpreende. Surpreende-me o sorriso, surpreende-me a facilidade com que se aceitam coisas como o bem estar.

Estamos a chegar ao ponto sem retorno, disse-lhe. Ela sorriu.


sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Posso invadir o teu espaço?

Agora é que vai ficar bom. Já te disse, não te disse. Agora é que existe vida e ao mesmo tempo adormecemos ao lado um do outro. Posso invadir o teu espaço? Obrigado. Eu só pergunto para que saibas que quero invadir o teu espaço. Vê agora. Os tipos das pipocas incomodam. Comer pipoca faz barulho. A única coisa boa desta sala escura é estares ao meu lado, sabes disso, não sabes? O teu sorriso contagia-me e digo coisas parvas, geralmente sou mais recatado. Aluguei este mundo só para nós, aproveito isto tudo.

Assustaste-te? Dá-me a mão. Eu já te disse que vi o filme várias vezes antes de ver contigo? É para saber a história, preparar-me e marcar uns pontos na tua escala. Escala? Toda a gente tem uma escala.

Não gostas das personagens, os Aliens são estranhos. Tu dizes que parecem uns polvos eu digo-te que parece um eucalipto com as raízes de fora. As pipocas nunca mais acabam. Vamos fumar um cigarro?
Vamos invadir outra sala? Este filme cansa. Fomos apanhados, nunca tinha sido apanhado antes. Não faz mal. Só faltou correr. Está a chover lá fora e nós somos de longe.

Posso invadir o teu espaço? Deixa-me encostar a minha cabeça à tua. Posso invadir o teu espaço?

Beleza

Porra, a tua beleza magoa-me A tua calma impressiona-me A tua cara envergonha-me O teu corpo humilha-me A maneira com fal...