São 23 horas. Estou à porta da faculdade. Silêncio. Escuro. Silêncio e frio. Finalmente parei, entre reuniões e aulas de tese o meu dia passa devagar. Devagar e calmo. O primeiro pensamento é para ti. Estás longe, eu sei, imagino o que estás a fazer. Imagino que voas noutras coisas, coisas mais rentáveis do que eu. Imagino o teu mundo, imagino aquilo que gostava de conhecer. O tempo nunca e simpático e eu por aqui fico. Vou ficar estacionado mais um pouco antes de ir para o silêncio da minha casa, vestir o pijama e ver um filme qualquer.
Não te vou procurar mais enquanto as minhas coisas não estiverem calmas e paradas. O meu mundo para colidir com o teu tem que ter espaço, espaço para o teu. Se não for assim não vale a pena. As colisões são o que são e as minhas são controladas. Espero encontrar-te um dia com mais tempo e tu com tempo, encontrei-te em palavras e afasto-me nelas. Tiveste o dom de me fazer escrever outra vez, tiveste o dom de te procurar e de te desejar. De te querer ouvir de saber como tinha sido o teu dia, de querer saber tudo sobre ti. De te querer mais do que podia. Eu sei que não fomos nada. Eu sei que faltava tudo e eu como sempre mato tudo antes de que algo me possa magoar e magoar-te. Eu sei que é ridículo e estúpido mas é a minha auto preservação de me manter assim com tudo que possa controlar.
Continuo a olhar para o telemóvel à tua procura com uma vontade terrível de te ouvir e saber que estás melhor. Estás? Um beijo até já.
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