Hoje estou preso no meu corpo. Não me consigo libertar de
mim. Despisto-me na minha vontade. Quero pensar noutra coisa qualquer sem ser
no teu corpo, ou na tua ausência, satisfaz-me o desejo pelo teu cheiro.
Toda a história de amor, que se preze começa com “Era uma
vez” e redunda no vazio. Entre o começo e o fim sobra um olá e um adeus. Olá,
por ser assim, adeus porque me quero a mim. O egoísmo da inércia sobrepõem-se a
ti.
Já te tinha visto por aqui, muito mais do que pensas, por
vezes escondo-me e observo, sem lapidar a minha saguidade da descoberta. Tento
ser imparcial.
Tudo começa num Era uma vez, imagino, Era uma vez alguém que conheceu
outra pessoa ainda mais triste e da tristeza fizeram crescer um amor, fim.
Chamo-te, agora, seria uma boa altura para me perder em ti.
Eles continuam parados, em frente, olhando-se, fazendo os
seus julgamentos em silêncio, Era uma vez, o que um olá mata e sobrevive.
Disseram aquilo que queriam ou apenas o que era permitido, sim porque o
desespero é triste e nós estamos tristes com um sorriso nos olhos.