quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Relações



PARTE I

Alguns dias atrás, vinha numa das minhas viagens, recebi uma mensagem que dizia “adeus Paulo”. Curioso. O adeus parece que soa a uma atitude definitiva. O “adeus”, torna tudo racional e concluído. Aproveito, agora e aqui, para te dizer adeus também e desejar-te uma boa vida, longe de mim. Porque a meu lado era complicado. As pessoas acabam sempre por se cansar.

Desculpa nunca te ligar a não ser para sexo, puro e duro. Desculpa nunca me lembrar do teu aniversário ou daquelas datas estúpidas como o primeiro beijo, primeira vez que saímos, etc. desculpa nunca querer saber dos teus problemas porque os meus já chegavam. Dos dias que ligavas porque me querias ver e eu arranjava milhões de desculpas que pareciam todas furadas. Depois já eras tu a fazer o mesmo. Eu pensava que era divertido. Tu pensavas que eu não sabia que tudo estava a chegar ao fim. É mais fácil virar as costas e aprender a ser feliz.

Recordo-me, agora, como és. Gostava do teu corpo e do teu rosto, eras uma boa companhia e fazias questão de pagar quase todas as despesas algo que eu aprendi a lidar com isso. Penso que te mostrei um outro lado do mundo, tudo diferente daquilo que conhecias. Fomos ao teatro, percorremos exposições, andámos em festas. Apenas tinhas um defeito, o teu Q.I. era demasiado curto, mas não se pode ter tudo, não achas.

Assim aproveito-te para dizer, “Adeus, amiga”. Tenho a certeza de quando me vires na rua irás me falar.

PARTE II

Naqueles dias que passamos encerrados no escritório, a ouvir várias pessoas a justificar os chorudos ordenados que ganham. Com gráficos a analisar o evidente. O passivo e o activo, adoro estes termos. As probabilidades. Faz-me lembrar a cadeira de estatística e probabilidade. Que se esbate com “estamos em crise”.

No imenso ruído da reunião enviei uma mensagem para uma amiga que dizia “Hamburguer e motel?”. Ela respondeu a que horas. Eu disse-lhe 19.30. Ela contestou dizendo que não podia que tinha uma reunião, que só podia às 20.30. Assim ficou.

Acabou a reunião. Fui para o meu escritório. Sentei-me. Estive a despachar uns papeis. A analisar uns orçamentos, a introduzir uns dados. A fazer projectos. Eram 19.30 tinha tudo feito. Ainda tentei navegar na net. Tentei inventar algumas coisas para fazer, Deus é testemunha. Os gabinetes estavam vazios. O escritório escuro. Ainda fui beber uma imperial no café em frente. Acabei a discutir futebol com o Sr. Manuel. Um homem extremamente grande. Um grande adepto do Sporting eu sou do rival. As nossas discussões são sempre bastante cordiais.

Olhei para o relógio, 20.00h. Estava cansado, nem o prazer do sexo me fez levar a ficar. Mandei-lhe uma mensagem a dizer que já tinha passado a ponte portanto tinha que ficar para outro dia. Ela não me respondeu. Quando estava a estacionar o carro, já na minha casa, recebo uma mensagem a dizer “nunca mais me mandes mensagens, ok”. Eu, como sou uma pessoa muito bem educada, acatei o pedido desde logo. Nem lhe enviei um frio OK.

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