Ele encontrou-a num café. Ela viu-o. Ela não se mexeu. Ele, aparentando uma calma celestial, avançou. Pediu um café. Ela imóvel. Encostados a um balcão evitando-se estender num olhar. Ou perderem-se num olhar. Eles, já foram tanto. Agora o nada é exuberante. O que ela pensará. É com adoçante, diz ele. Ela segue-o pelo espelho. E assim continuam.
Ele, recorda-se do tempo em que eram um. Das juras e promessas. O orgulho de estar a seu lado. Das noites em que viam as luzes de Lisboa a andar de baloiço. Das noites em que partilhavam gelados. Dos casacos que trocavam. Das músicas adquiridas, sem direito de autor. De entrarem a pouco e pouco pelo mundo oposto. De sorrirem sem esforço. Mas acabou. O tempo mata tudo. O tempo.
Eles continuavam presos ao chão. Demasiado.
-Olá.
-Olá.
-Como estás?
-Bem, e tu?
-Vivo.
-Tudo tem um preço.
-Qual é o teu?
Sem comentários:
Enviar um comentário