quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Com a cabeça entre as orelhas

Acendo mais um cigarro. Procuro frases feitas em vão. Tento escrever aquilo que não se transcreve. Ponho a cinza no cinzeiro. Estou sozinho. Com a cabeça entre as orelhas.

Tive inveja de quem te acompanhou. Reconheço que fui mortal. Tive ciumes. Uma ciumeira ridicúla. Completamente desfeita em ilusões. Merda, tive ciumes. Quando olhei as tuas fotos, de ruas e aeroportos que bem conheço. Aquelas ruas ou calles como eles chamam. Lo Puerto Olímpico. La Calle Inglesa. Sagrada família. Enfim, tive ciumes.

Já estive aí diversas vezes, vou ter que ir aí próximamente. Ando a adiar. Sempre sem ti. E sei que a próxima vez será sem ti. Correr aquelas ruas isoladas e cinzentas sozinho. Dormir num quarto de hótel com um portátil como companhia. Vestir o fato de manhã para defender teses imaginárias. Esperar em aeroportos pelo embarque. Os aviões da TAP andam sempre atrasados. Refugiar-me em zonas minúsculas para fumar um cigarro. Telefonar a toda gente conhecida para treinar o Português. Sentir-me Português numa terra universal. Sempre foi assim. A primeira véz que fui à Sagrada Família, tentei subir as escadas de uma das torres. Descobri que é impossível. Quem me ajudou foi um casal de Suecos que me amparou na descida. Estive no 2º patamar, na varanda, a fumar um cigarro. O que vale é que o Inglês é universal. Se tivesse uma bandeira Portuguesa pregava-a naquele quintal. Isto foi sem ti.

Meditando no essencial e olhando para nós numa forma ambígua reconheço que sou demasiado frágil para ti. Ainda falo em nós. Será sempre o nós. Nós que conseguimos tanto com tão pouco. Nós que estivemos tão perto e nos afastámos. Nós. O eterno nós. Onde tu e eu ou eu e tu elaboramos o plano abstracto de um amor perdido em nós. Seremos tão "destintos" mas verdadeiros. Merda tive ciumes.

Hoy hay intentado olvidar.

Agora, mais calmo. Muito mais calmo. Era só para te lembrar que o nós existe, assim. Depende de ti e de mim para alterar isso.

Como estás? Bem, médio-mau, médio, mau. Conta-me. Tenho tempo.

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