quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Geração Coca-Cola


“Senhores passageiros começámos a descer em direcção de Lisboa e aterramos dentro de 20 minutos. Está sol e a temperatura é de 18º. Desejamos-lhe um resto de boa viagem, muito obrigado.”

Mais uma viagem está a acabar. Mais uma vez vou chegar à minha pátria e não tenho ninguém há minha espera. Nunca irei provar a sensação de ter alguém para me abraçar. O correr para os braços de alguém. O meu nome a ser pronunciado. Um amo-te, a qualquer hora. Apenas o meu olhar quando percorro os corredores em direcção à porta. Apanho um táxi em direcção do meu carro.

A viagem de regresso é sempre detestável. Fecho os olhos. Tento simular o sono. Por vezes há alguém interessante a bordo, troca-se olhares e por aí fica-se. Normalmente apanha-se turbulência em pleno ar, nesta altura do ano é normal. A hospedeira sorriu para mim, deu-me um jornal e de amiúde vem perguntar-me se desejo mais. Vou encostado à janela. A meu lado vem um coca-cola qualquer empertigado. É detestável observar estes coca-colas sempre a tentar gozar de uma imagem que não é a dele. Não conversam, não sorriem, sempre a tentar mostrar um grau de superioridade qualquer que se torna ridícula. Acreditem que estão como eu, não há ninguém há espera deles. Apanham o táxi e pronto.

Trago na minha mala mais um plano infalível. Que redunda num sim ou num não. Novas teorias de mercado que irá revolucionar Portugal. Então, porque raio, estou por aqui e assim

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