quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Chamo-te perfeita por não ver mais ninguém


Esse teu olhar que se prende na folha de papel
esse corpo que me convida a morrer
essa vontade vã e inexplicável
de ficar e de me perder
de procriar sementes em ti, apenas por seres mulher.

Esse teu gesto que morre à nascença
essa tua ilusão que perdeste, perdeste
essa tua frustração de não teres a minha doença
a febre de um corpo a teu lado, onde te deste
a inglória semente a que chamas de peste
no teu corpo que me conduz e me despe.

É no teu corpo que me dou e sou dado
é nessa cama que se implanta o meu estado
chamo-te perfeita por não ver mais ninguém
chamo-te, peço-te, por favor vem
vem procurar o que perdeste
vem encontrar o que não pediste
vem ao encontro da tua doença
vem aqui..........nascer
em paz, tudo por amor?


(Descontaminação, 1992)

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