quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
Até um dia, amigo!
Ontem vi um amigo de grandes datas, lutas e feitos. Andávamos os dois às compras num hipermercado, cá da cidade. Os hipermercados são os melhores pontos de encontro. Dois rebeldes assumidos com um cestinho vermelho. É caricato. Tanta luta, tanta revolta para redundarmos nisto. Andava à procura de bolos e tu de café.
Ainda nos reconhecemos, descobrimos isso. Eu estou diferente e tu também. Demasiado diferentes mas com a mesma atitude. Gritámos o nosso nome. Ficámos parados e calados. Perguntas de ocasião. Quisemos saber tudo um do outro em 5 minutos. Quando já tinha passado uma vida.
Um sentimento estranho apoderou-se de nós. Parecíamos cúmplices de um roteiro. Sabíamos tanta coisa um do outro mas não conseguíamos falar nada. Nada de útil. Não há nada para falar. O teu rumo e o meu foram por pólos opostos. Eu desisti antes de ti e isso notava-se.
Trocámos os números dos telemóveis. Prometemo-nos que iríamos voltar a falar. Iríamos retomar o abandono.
Peguei no meu cesto vermelho, onde já estavam os bolos que pretendia. Abraçámo-nos.
Até um dia, amigo.
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