quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
O Nosso dia
Adormeci tarde, tarde demais para te acordar.
As palavras que me restam são para ti. Assim te apresentaste e assim te despediste. Por entre o meu olhar voaste livre, apenas isso, livre e indiferente como toda tu. Na calma que me transmites eu fujo ao inferno de sobreviver pelas tuas palavras que me restam.
Já sorri contigo. Já vivi contigo. Já morri contigo. Desapareço em ti. Só me resta voar contigo. Tirar os pés do chão de mão dada. Por entre os meus pecados e os teus desejos. Assim. Voarei como tu inventas. No silêncio que digeres na minha carne.
Criei-te em súplicas. Sonhos demasiado realistas.
Os meus sonhos são vazios evaporados na natureza de crescer em ti. Ontem vieste ter comigo. Andámos a percorrer calçadas e a tirar fotos às ruas de Barcelona. Desenhámos o nosso mundo no chão. Percorremos as fronteiras do tempo. Vivemos a nossa descoberta e trocámos mensagens. Vieste aqui por umas horas que pareceram segundos. Quando voltei ao hotel a cama continuava vazia. A outra ocupada pelo meu espaço.
Levei-te a jantar. Comemos carne. Violaste um vício. Matámos o medo com a primeira bebida. Afogámos a vontade. Quando me deitei a cama continuava vazia. O quarto vazio. Tudo vazio. Sem ti. É assim que sou, sem ti. Um vazio repleto de espaço por ti.
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