quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

A nossa última noite

Ela disse; entra, enquanto abria a porta
eu, com medo que me barrasse o caminho
parei
olhei
implorei-te a verdade…………..
não sabia porque ali estava
não sabia o que ela queria, mas ali ficava
o medo que me invade,
preso na porta que me derrota
mas isso agora pouco me importa
a não ser as certezas de ficar contigo ou sozinho.

Eles, já tinham dito tudo
que mais se podia dizer?
já se tinha feito tudo
que mais se podia fazer?
mas ali ficavam, no silêncio de um olhar
aquela vontade estúpida de ficar contigo, a teu lado
mas não dizer.
O que não tem compreensão
o desistir desta enferma religião
ambígua e eterna, solidão
que já não tem nada de novo para dizer
estou cansado das minhas batalhas em vão
estou cansado de ser rejeitado
estou cansado de seguir o teu caminho
sozinho
ouves? Apenas existe este vazio
frio
que me consome
o que tu quiseres que eu seja, eu me edifico
mudo de nome
transformo-me
desisto de ti, não?
Não me desistas de me tentar…………..
por isso abre esta porta
pois eu já aqui estou, e tu aqui estás e é onde eu me edifico.

Entrei
lembro-me que a tua casa estava deserta
lembro-me de estares distante
lembro-me de tudo e de nada de importante
lembro-me das tuas roupas, do teu cabelo, da tua mão aberta
lembro-me das minhas roupas, sujas e gastas por lavar
lembro-me de dizeres coisas que me incomodavam
como eu estar diferente
de já não me conheceres
de estar doente
de não ser alma no corpo que pretendes.
Ou seria o corpo na alma que entendes.
Lembro-me, agora, que te tentei tocar
tentei-te beijar
não me recordo se o trocámos, deixou de ser importante
sei que te tentei
e assim me afastei.

Fechei a porta
foi nessa noite que te comecei a perder
foi nessa noite te lembraste de me esquecer
e eu por ti não lutei………….
Queria-te ter a meu lado……..
Assim segui o meu rumo isolado
perdido neste passado
ignorando os pensamentos que me derrotavam
incomodavam
irritavam
porque não era eu que estava diferente
era, sim, apenas tu………………
que precisavas de uma razão para te esqueceres de um corpo.
e a ti nunca to perguntei!

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