quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
A minha sala fica mais iluminada contigo
Apareceste-me em casa. Não te convidei. Não tinha ainda falado contigo. Já te tinha visto, por aí. Recordo-me dos teus gestos. Recordo-me do teu olhar e assim te sentaste e por ali ficaste.
Elogiaste a minha casa. De como era grande. Enquanto eu tirava o casaco, cansado. Gostavas das cores. O branco dá um aspecto de lavado, dizias. Contrastava com o silêncio e a solidão. Mostrei-te o mundo lá fora, da minha varanda. Procuraste a lua. O meu carro cinzento, jazia lá em baixo.
Liguei a televisão. Procurei um canal qualquer de notícias. Fui tirar dois cafés. Perguntei se o querias. Aceitaste.
Reconheço que a minha sala fica mais iluminada contigo.
Falaste. Falaste demasiado. Houve alturas que já não te ouvia ou compreendia. Apenas acenava e consentia as tuas ideias. Demasiadas perdidas. Contaste-me os teus medos. Ambições. Desejos. Eu não disse uma palavra. Nunca digo. Esse será sempre o meu mal.
Nem uma.
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