quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Este vazio que nos une


Olá, é o Paulo. Recordas-te? Sim. Estava a ligar para te perguntar se querias sair. Quando? Logo à noite. Ok. Vou-te buscar a que horas? Oito. Está certo. vou-te buscar a casa? Até já. Fica com um beijo.

O que a solidão me faz.

Enquanto via o Benfica, na televisão, acompanhado por estas cervejas e os cigarros que me incomodam, pensava em todas as alternativas para fugir da banalidade. Esta banalidade que me provoca. A necessidade de sair e ver luzes tornou-se um vicio. A necessidade de me sentir desejado enquanto me recusas.

O que a solidão me obriga a fazer.

Às oito lá estava. Às oito lá estava ela. Continuava como recordava. Linda. Cuidada e simples. Indefesa, porque ela sentia que eu a enfrentava. Perguntei-lhe onde queria ir. Encolheu os ombros. Arranquei no meu carro azul sem direção. Escolhemos um café verde para estacionar. Falámos de tudo o que nos dava na gana. Rimos de uma maneira infantil, por momentos estive feliz. Fomos a um jardim das redondezas e descemos num escorrega. Fizemos corridas de baloiço. Desafiámos a gravidade saltando o mais longe possível. Entre olhares andámos de mãos dadas.

O que a solidão te faz.

Levei-te ao meu porto de abrigo. Mostrei-te o quanto de lindo e calmo, como eu, ele tem. O silêncio que emerge. As histórias que ele reclama. De um lado o norte do outro o sul e nós tão afastados das luzes que viamos. Mostrei-te a varanda do meu castelo. Expliquei-te os caminhos e baptizei as montanhas. O frio era uma constante que nos obriga a abraçarmo-nos para aquecer os nossos corpos.

O que a solidão nos faz.

Levei-te a casa entre conversas de descoberta. Omitiamos os pensamentos e escondiamo-nos pela escuridão. Convidaste-me a subir e assim te acompanhei. Partilhámos os teus lençois....

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