quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
Descontaminação II
Boa noite, nós somos os Descontaminação e viemos para descontaminar as vossas almas.
E assim eles se apresentavam. Os 5 “gaijos” da capital cinzenta. De calças coçadas, algumas rasgadas em zonas estratégicas, t-shirts baratas e casacos de cabedal inundados de zips. Olhares alucinados, como se desafiassem qualquer geração que eles mais tarde acabariam por se vender.
O local era a zona de culto desta cidade. Hoje já não existe. No fundo da rua é uma igreja que profana um Deus qualquer, em frente, é um bar da moda. Naquela altura nós não éramos a moda, sim a rebeldia acabada em suor. Este suor que acabou em nada.
As luzes incandescentes davam uns efeitos giros, a malta, apertava-se e mexia ligeiramente a cabeça. O som, saía completamente abafado numas colunas enormes que se amontoavam no bar. Existia um palco para ficarmos ligeiramente elevados. Por trás umas cortinas que tapavam tudo o que era cabos e lixo. Por vezes esses recantos eram usados para o prazer.
E aí começavam. Primeiro a bateria, depois vinham as teclas e por fim, logo de seguida, as guitarras distorcidas. Seguiam-se as palavras.
Maria João
Maria João
Do meu coração
Deixaste-me só, só na solidão
Deixaste-me só, sozinho, agarrado àquilo que só tem uso com a mão
Seguir-te-ei até te encontrar
Pois no meu coração
Haverá sempre lugar
Um lugar para ti e para mais ninguém
Ó Maria João
Eu só te quero bem
Fugiremos os dois para o Japão
Tu a pé coxinho e eu num foguetão
E se um camião
Atropelar a gente
Morrerei a teu lado, morrerei contente
Ó Maria João
Meu grande amor
Deixaste-me só, entregue à dor
Maria João
Minha puta malvada
Meu grande "estapor "
Deixaste-me assim, minha desgraçada
Quando te encontrar já não quero nada
Maria João eu só te quero bem
Tu estás longe e assim estou bem
Maria João gostei de te conhecer
Pois apesar de tudo adorei-te foder.
Maria João e eu
Eu e a Maria João.
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