quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
2ª Pessoa do singular
Dói-me a cabeça. Hoje, definitivamente, não é o meu dia. Não é o meu dia, semana, mês e ano. Um azar susceptível a mal olhados acompanha-me. De momentos a momentos olha para mim e convida-me a beber um copo. Este monstro de ilusão. Perdido, por aqui, lado a lado. Disseram nas notícias que o sol voltaria. Os raios de luz invadiam o nosso espaço. Alguém pediu? Quero que a chuva volte, menos o vento que me incomoda.
As pessoas. Sim, aqueles seres que baloiçam ao nosso lado. Tem uma tendência mundana de nos tratarem por tu. Primeiro começa-se com um sr., depressa passa-se para a fase de dizer o nome próprio mas com um você à mistura. Do género, Rui olhe para aqui ou Ana o que você me obriga a fazer. Assim. Quando se passa para aquela fase do tu. Primeiro toma-se algumas reservas e cuidados. Depois avança-se.
Quando nos tratamos por tu parece que conquistámos uma guerra qualquer. Levámos de vencida um corpo e uma vontade. A alegria de falar uns com os outros muda. Já se troca anedotas. Falamos de vontades e desejos. Até compartilhamos desabafos sobre árbitros e golos que não entraram. Elogiamos a indumentária e troca-se um piropo perdido. Chegamos ao cúmulo de trocar frases pouco abonatórias de cariz pessoal.
Se é assim, porque não se passa logo para a fase do tu. Porque não? Qual é a razão. As fases que tem de se ultrapassar? Se aquela pessoa é mais digna de confiança do que eu? Se será que ela merece? Poderá parecer mal devido ao que os outros pensam? Mas, aí partiríamos para a complexa observação das maiorias.
Nas minhas férias, no local onde estive a pernoitar. Partilhei a minha piscina com um casal, que deveria ter a minha idade, que tratava os filhos por um poderoso você. Eles retribuíam com a mesma moeda. Imagino aquele filho falar com o pai sobre a primeira expressão de sentimentos com ele. Poderoso, não? Ou então a informá-lo que bateu com o carro, divinal não? Ou então que tinha intenção de sair de casa com uma mochila para ver o mundo de outra forma.
Eu, geralmente facilito sempre. Quando me chamam por você, senhor ou um outro título qualquer eu recordo que é pela segunda pessoa do singular que gosto de ser tratado. Se o souberem poderá ser pelo nome, cada vez menos pessoas se lembram dele, mas isso não importa. Irrita-me quando aqueles mesmo depois de ouvirem isto continuam com um poderoso você a tentarem manter uma distância que eu não quero encurtá-la.
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