quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

A tua morte

A tua morte sabe tão bem..........

Vrummmm…180…………………190……..195….200..205! Bati a barreira do som do alcatrão, onde alguns chegam e poucos a ultrapassam. Sempre me ajudaste, não é alcatrão? A nossa relação, se podemos chamar assim, sempre foi bilateral. Eu percorro-te, piso-te e tu guias-me. A sensação de pisar algo é reconfortante. Saber que há mais coisas abaixo de nós. Não sermos o último de uma fila incontável. Sempre que me sentir pisado, piso-te. É injusto.

Hoje ficaste no alcatrão. Lá atrás. Eu não volto atrás. Jamais. Assassinei-te. Eu sei que merecias um funeral digno, não tive tempo nem vocação. Foi uma morte rápida. Demasiado. Foi fácil. Demasiado. Já sei que é possível. Desculpa.

Rasguei o teu nome. Rasguei os teus poemas. Apaguei as tuas mensagens. Apaguei os teus números. Nunca mais te vou encontrar. O mais importante é apagar-te de mim. Afastar a ideia que um corpo pode oferecer sensações estranhas. Afastar aquilo que não se domina.

Quando chegar a casa ligo para a polícia para me virem buscar. Vou alegar que sou um louco, sim um doido varrido. Apaguei todos os teus nacos para ninguém me ligar até ti. Quero fazer o teste do polígrafo para comprovar que não minto. Estás morta em mim.

A tua morte saciou a minha raiva. Esta coisa doentia que estava recalcada. Quem és tu?
Eu não procuro, procuram-me. Eu não tento, tentam-me. Eu não peço, pedem-me. Quem és tu para alterar o ritmo normal das coisas? Quem és tu para ousares pensar que podia-te procurar? Sendo assim matei-te……………

Descansa eu morri mais do que tu. A tua morte ergueu um fogo. O fogo da vontade.

Enquanto tu morres em mim, renasces no meu papel e na ponta da minha caneta. É assim que tu irás viver.

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