segunda-feira, 30 de março de 2015

Take I


Já te apaixonaste?

Eu respondi com um já, claro que sim e para te amar só me falta sofrer por ti. Ainda não será hoje, porque hoje não tenho tempo, o meu tempo é pouco para tudo o que quero fazer, tudo o que quero é respirar. Eu olho para as coisas simples, para os momentos que me marcam, para um bem estar permanente, para algo que me faça ficar, sem vontade de partir.


“Vou chegar atrasada”


As mensagens são sempre bastante informativas. Bem, pensei, vou fazer tempo, enquanto limpava os óculos. Num parque de estacionamento encostado à beira mar. Tirei as mãos dos bolsos, dois respiros bem fundos e secos. Acendo um cigarro. Caminhei em direcção de uma esplanada, o alcatrão impregnava na paisagem, caminho ao lado de outros que se divertiam a passear, salpicados pelo sol , que se escondia.  

O que me rodeava era banal e supérfluo, teimo em dizer que nada disto que me arranjam simplesmente me cativa. O ser mais um é imortal e promíscuo, entre a seiva de um artigo deteriorado, e eu aqui sozinho porque tu estás atrasada. Fui beber um café. No fim da esplanada ergue-se um edifício, num tom pré fabricado, todo espelhado, encostei-me num muro. Deveria ter-te trazido flores, chocolates e um poema qualquer. Mas nunca tenho tempo pra essas coisas, concordo que tornam-se foleiras, e pouco pensadas porque se planeia imenso, imagina-se um cenário perfeito mas nunca nada corre bem.

Como sempre corre tudo mal, entorno a porcaria do café sobre a mesa, ouve-se logo comentários e ter que aturá-los com um sorriso. Afasto-me.

Voltei ao parque de estacionamento, está frio. O mar calmo.

Porra, tanta gente a correr, deliberação de última hora, amanhã vou correr. Promessas.

E se não vieres? Não me faças isso.

Nisso um homem aproximou-se e perguntou-me o porquê de esperar, e eu surpreendido apenas acenei com um puro hã.

Ninguém vale isso. Insistiu.

Olhei para o lado, com um sorriso afastei-me. Parei em frente ao mar, como seria bom veres o que vejo. Ou da maneira como vejo o meu mundo, tão longe do teu, cheio de cor e vida entregue a nós, sem o tempo a controlar. O vento castiga-me o rosto, o cabelo sempre despenteado e o meu mundo entregue a ti.

Chegaste, linda, como sempre. O vestido assenta-te na perfeição. Desenha as tuas curvas, mostra o teu corpo. O teu cabelo selvagem, nesse tom ruivo, encaracolado, indomável, como tu. Sorriste para mim, eu sorrio para ti. O longo beijo que partilhámos, abana o nosso mundo, um abalo na escala Mercali, que dinamita  a vontade. Depois, depois foi o abraço, a fome e o desejo. O toque. O apertar-te contra o meu peito. Sentir-te.

Olá.

Olá, amor.

Como foi o teu dia?

Bem pior de que agora.

Depressa se afastaram de mão dada, comendo gelados. Valeu a pena esperar um dia para te ver.

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