segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Eu estou aqui

Sentada numa esplanada, enquanto bebia um café e o vento batia-lhe nos cabelos e de perna cruzada, disse-me, que não poderíamos continuar. Que comigo sentia-se mais sozinha do que normal, que precisava de alguém que estivesse do lado dela, que vivesse o que ela sentia. Uma companhia porque eu não era isso, era outra coisa qualquer. O medo é o horror de te sentir e de te perder.

Por isso, continuo aqui. Fico por aqui enquanto te afastas. Acendo um cigarro e fico por aqui.

Não disse uma palavra, fico sempre calado na esperança que as coisas passem, porque não estavam aqui antes. Mais tarde trocámos mensagens, conseguimos comunicar muito melhor por mensagens. Somos um Textdependentes. O processo tinha iniciado.

Eu fico por aqui. Calado, em silêncio na esperança que fiques comigo.

Quando saí dali, desse inferno, fui ver o nosso mar. Perco-me em estradas, em pensamentos, tudo me faz lembrar-te.

Eu fico por aqui, porque aqui.

Procurei cantar, fazer chamadas desesperadas tudo para ter uma conversa sem nexo, go que me faça rir e voar sem ter o meu mundo preso a um chão qualquer. Recordo-me da primeira vez que te vi, o cabelo solto, conheci-te pelo cheiro. Das nossas conversas intermináveis e dos passeios que partilhámos. Nervosos, confusos e com vontade de perder tempo. Recordo-me dos esforços que fazia para conseguir ver-te. Do que sentia por não conseguir.

Mas eu estou aqui, sozinho.

Descobrimos um presente que depressa se torna um passado.

Sento-me, invento o meu mundo nesta minha nova casa onde o tempo não passa. Abro uma garrafa. Eu estou aqui e tu não estás por aqui.

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