quinta-feira, 10 de outubro de 2013

In Public (Nacos Urbanos)

O que te falta é o que sinto



“Oferece-me um café que eu levo o açúcar e o desejo” disse-lhe ele às escondidas. Às escondidas continuou o sufoco. Não ficas secretamente orgulhosa que eu não cumpra aquilo que me pediste. Sabes porque não cumpro? Por mim, claro.



O que te falta é o que eu tenho para te dar. Eu sei. Eu posso inventar essas frases mas cimento-as com a vontade. Entra. A porta está aberta. Não a feches agora. Vou fechar os olhos e descansar um pouco. Depois conto-te. Sabes que é à noite que te procuro. A noite faz-me sentir mais vazio do que é normal.




Vou fugir um pouco.




As pessoas que me tocam são aquelas que fogem. Podem-te tocar se sentir a tua pele. Eu continuo a ver-te em todo lado. És como uma alucinação. Depois olho e não és tu. Desconfio que quando te vir vou desconfiar dos meus sentidos. Depois penso, calmamente, que isto não vai durar muito mais. O que tu não sabes é aquilo que me fazes.




Hoje vou beber, sair, ver luzes. Essas coisas que de pecado tem pouco. Vou encontrar um sítio calmo para encostar na minha paz. Sempre gostei de me sentir em silêncio. Ter que ser simpático não faz muito o meu estilo. Aliás nada faz o meu estilo. Continuo a ir aos bares do costume sem saberem o meu nome, nem eu o deles. Não quero. Mas se perguntares por mim eles vão dizer-te que estive lá.




Depois de naufragar vou ancorar numa boia. Vou-me divertir com a ondulação e vou gritar. Acabo sempre por ter conversas ocasionais com pessoas instantâneas. Sou um óptimo conversador de momentos. Invento histórias e faço um ar grave e sério. As pessoas por vezes acreditam nisso.





Oferece-me um café que eu levo qualquer coisa que justifique a minha presença!

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